sexta-feira, abril 22, 2011

Pais e Filhos [Contos ácidos]

Conforme o tempo passava, mais se distanciava de tudo aquilo. Já não comia, não bebia. Não daquele lugar. Ora, já não valia mais a pena. Foi quando me reencontrou. A luz de seus olhos me iluminou e até pude ensaiar um belo sorriso. 


Mas um segundo depois o rancor retornara, ele sim já estava habituado a mim. Seria mais fácil voltar no tempo e desfazer algumas coisas, resgatar alguns amores. Quem sabe até jogar na loteria? Muita presunção. Retornar já seria de bom grado.


Pensando nesse encontro, pude descobrir o que não quero. O que eu quero também não sei. Chega de arrastar-se por becos sombrios. O drama já não cai bem tão bem assim.


E ai, como faz com tudo isso? Não faz... Cada experiência, serve para fortalecer, para que quando chegar o seu momento real, você não desfaleça. Então, junte essa merda toda, processe, recicle e se torne o que nasceu pra ser. 


Um velho? Ou alguém de respeito? Ou vai ficar se repetindo e repetindo até não ter mais jeito?




Fique ai no seu canto então, uma hora terá que sair da sua casca... Mas lembre-se sempre do encontro que teve hoje, da bagunça que está sua vida... Das vidas que conseguiu bagunçar só de respirar.


E a sua vida, quando vale?






[Carta de Carlos Wilfred III para seu filho Sam, preso a contra gosto num sanatório qualquer]

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