segunda-feira, fevereiro 21, 2011

O homem que sabia de menos [Contos ácidos]

Será que saber as coisas seria mesmo de tal ajuda a ponto de lhe conceder alguma posição?

Não sabia muito. Facto. Não sabia nada de nada. Mas fazia pose de quem muito sabia. Era sagaz. Queria o mundo para sí. Uma vez conquistado esse, poderia partir para outro. Mas como?

Certo dia, confrontado sobre o que sabia, apenas disse... "eu sei de tudo, não se preocupe, este segredo está seguro comigo..."

O problema é que cada vez mais preocupava todos os que com ele conviviam. Não só estes, mas o prefeito já estava nervoso com a noticia de que alguém "sabia". Mafiosos estavam perplexos sabendo que tinha alguém com a "informação". Até dona Zilda, vizinha do dito cujo estava preocupada pois tinha segredos a muito guardados no baú mesmo após a morte de seu amado esposo, ninguém sabia de nada, até agora, e isso a preocupava.


O importante é que ele não sabia de nada o que acontecia, apenas sustentava o status de que "era o sabido".


Um belo dia um carro o parou em plena 9 de outubro e com armas bem convincentes disseram "ou entra ou morre...". Não havia outra opção a não ser ir com aqueles gentis cavalheiros. No caminho foi interrogado duramente a respeito de informações sobre o prefeito, o vice prefeito, o delegado e até sobre os seus vizinhos e tudo o que conseguia dizer era "não sei de nada". A cada porrada que levava, se lembrava do quanto seus dias eram bons, mas mesmo assim... Apanhava como um louco. 

Já próximo de bater as botas exclamou: "não sei de nada, nem sei quem disse que de tudo eu sabia... Só queria ser melhor do que os outros... E aqui estou!!!".

Nunca mais o acharam... Dizem que de tanto saber, o rapaz mudou-se para o Zignistão e vive de custas do governo, silenciado por muito saber...



E agora?