Terminal.
Noite fria, coração quente. Assim pensava ao caminhar e cantarolar
aquela nova canção que ouvira em seu boteco favorito.
Ao bom som que relembrava, chegou em casa.
Gostava muito de se sentar, colocar um bom e velho Miles Davis pra tocar e
lhe fazer companhia. Foi quando sentiu em seu coração um aperto. Uma dor
incontrolável a ponto de lhe fazer perder o sono.
Que seria aquilo? Talvez a vida lhe dizendo que sua hora chegara...
...
Bom dia Doutor, como estou? – Com expressão transtornada.
- Filho, sente-se. Vamos conversar – Disse o médico com sobrancelhas
cerradas. Após vários exames, descobrimos que o que você tem é terminal. Há
algo em você que é raro hoje em dia, e por conta disso não existe uma
profilaxia e muito menos um tratamento. Sei que estas palavras não são o que
esperava.
- Mas, o que eu tenho? Como peguei isso? Quanto tempo eu tenho? –
Batendo na mesa desesperado.
- Você está apaixonado, e o amor tomou conta de ti. Não temos um
tratamento para isso. Você deve ter pego de alguém com quem se envolveu.
Visivelmente transtornado se exalta!
- Não é possível! Eu estou bem, me sinto bem! Estou mais feliz esses
dias, e as coisas estão indo de vento em poupa. Não acredito nessas coisas...
Olhar tenso entre os dois onde um silêncio assustador congela aquele
momento.
- Vá para casa e viva ao máximo, faça tudo o que sempre quis fazer.
Estes dias serão os melhores que você jamais terá. Viva intensamente e saiba
que cada segundo é importante. Não deixe de cuidar de você.
E agora?! – Pensou – Como vou lidar com isso, e como as pessoas vão me
aceitar?
Em devaneios enquanto voltava para casa
lembrando a boa música que outrora ouvira, planejava como gastaria o resto de
sua vida para que valesse a pena.
Continua...
Trilha Sonora: Amber – Electric Guest. (http://www.youtube.com/watch?v=ZBG5z6d2ek0)

