Permaneço em silêncio pois de nada adiantaria gritar. Passa por mim e sequer se importa. Passo por uma construção, reconstrução... Me distraio com pouca coisa. Ouvi dizer por ai que o pior não é conseguir, é desistir de tentar. Parei de acreditar no que dizem... Só parei.
Você me encontra por acaso, tenta desviar os olhos mas já é tarde demais. Devolvo a repulsa com um sorriso amarelo. Quero saber como está na esperança de que está sofrendo. Aqui, o sofrimento foi substituído por uma rosquinha, vou comendo de fora para dentro, pra passar o tempo mesmo.
Tenta lembrar dos bons momentos, mas são ofuscados pelas brigas sabor alecrim. Junto com aquele gosto amargo que fica após a "vitória" e sempre perco todas. O nosso quebra-cabeças nunca terminava, faltavam muitas peças, um arbusto, um canto... Sem encanto.
Bons tempos aqueles em que o sofá do meu apartamento era o melhor lugar do mundo. Era divertido ver filmes do Godard, criticarmos as falhas do jornal. Ficar encabulados com Polanski. O passado agora já enferrujado jogado pro canto gritava alto, e eu em silêncio.
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