segunda-feira, setembro 18, 2006

18 de Setembro


Ele já cansado, olhou em volta, e não viu nada além do que deveria ver... Seu quarto bagunçado, iluminado apenas por uma janela pequena, rústica, que não somava muito à beleza do local... Roupas jogadas ao chão, e uma lembrança vaga do que havia ocorrido na noite passada.
Sequer podia falar, sua cabeça doía, e em sua boca, apenas um gosto amargo. Olhou para suas mãos culpando-se, mas do que seria? Não conseguia se lembrar o que antecedeu aquela cena, e esse sentimento, esse rancor o assolava ainda.
Tentou se levantar, nada fazia sentido... Olhou as horas em seu relógio, como deveria ser. Mas... Ele não usava relógio. E ao olhar para um espelho, viu que não era como havia imaginado a vida toda. Estava diante de alguém que não saberia dizer quem é... Um rosto comum, cabelos grisalhos, olhar triste carregado de experiência.
Algo estava errado, pensou, eu sou jovem. Estou no auge dos meus 23 anos. Não pode estar certo. Que brincadeira de mau gosto é essa... Pensou, pensou... E percebera que não estava em seu quarto... Aquelas coisas não pertenciam a ele. Observou a paisagem que aquela janela sem alguma beleza lhe oferecia, e agora tinha certeza de que poderia estar sonhando... Acordara em algum lugar de Paris. Mas como? Quando? Por quê? Quem se daria ao trabalho de fazer tudo aquilo. Algo não estava certo, sequer lembrava como chegará aquele lugar.
Mas, perto da cama, havia um bilhete, observou, e lá estava seu nome, único, pois jamais conhecera alguém com um igual. E ele dizia o seguinte:
“-Leia com atenção, pois isso irá mudar a sua vida. Ha pouco tempo descobri que não posso mais viver em uma sociedade racional, tenho que me exilar, pois elas estão cada vez piores. Não consigo mais distinguir realidade de ilusão. Por isso te trouxe ate aqui. Minha mente, onde pude te estudar e saber quem é você. (Isto deve ser uma brincadeira de mau gosto. Exclamou!) E agora estou certo do quão perigoso é continuar, quero apenas lhe informar de que todas as emoções que você pensa ter vivido ate agora, foram uma ilusão, assim como sua existência. Eu, agora sei como te tratar, você que não passa de uma das minhas personalidades. Despeço-me agora. E peço que me entenda por estar tomando essa atitude. Mas irei destruir todas as chances de ter mais alguém em minha mente. Adeus.”
Ao terminar de ler, sentiu-se desconfortável, poderia apenas ser uma brincadeira de mau gosto, mas não era. Agora estava claro, fazia sentido afinal... Poderia caminhar para seu sono eterno certo de que jamais existira, não havia feito diferença no mundo onde sequer era real... Triste, sozinho, simplesmente deixou de existir. Simples assim... Pois era apenas uma idéia, nada mas que isso...

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